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24/07/2016 00h00
 

IMPORTANCIA E RARIDADE
O mundo como ele é

 
Quase Normal - D. Hirst

 

                            Paulo Timm – Janeiro, 2016

“Em alguns assuntos, não podemos perder muito tempo discutindo como deveria ser o mundo. Temos que compreendê-lo e tratar de nos adequar da melhor forma possível. Pessoas recebem dinheiro por sua raridade e não pela sua importância”

Paulo Ricardo  Mubarack ––in Raridade e Importancia

Jornal opção – Goy - http://www.editora-opcao.com.br/ada426.htm

 

                                                                                                          Prometeu, o fogo e as vãs ilusões

Corifeu –Foste mais longe em tuas transgressões?

Prometeu – Fui, sim, livrando os homens do medo da morte.

Corifeu – Descobriste um remédio para este mal?

Prometeu – Pus esperanças vãs nos corações de todos.

Corigeu – Assim agindo, deste-lhes grande consolo.

Prometeu – Inda fiz mais: dei-lhes o fogo de presente.

Corifeu – Então o fogo luminoso, Prometeu,

                  Está hoje nas mãos destes seres efêmeros?

Prometeu – Com ele aprenderão a praticar as artes .

Apud  Nelson C. Fossatti in Docta Spes e as Utopias Técnicas – Letra Vida Ed. ,  POA, 2014 pg.23

 

 

Na Ciência Econômica, inaugurada com o pomposo título de “Um Inquérito sobre a Origem  da Riqueza das Nações”,  Adam Smith, no despontar da sociedade capitalista industrial,  indagou sobre o valor das coisas no mundo moderno.  Diversas teorias se sucederam ao longo do tempo, na tentativa de explicar o valor das mercadorias,  nenhuma plenamente convincente. Ainda bem. Assim, falseada e contestada, a Economia como Ciência segue seu curso. Entrementes, como em quase tudo na vida, na dúvida sobre a natureza profunda de todas as coisas, fica-se com a aparência delas, sempre satisfatórias, senão à razão suprema, pelo menos aos sentidos imediatos: O prazer. Hoje, em Economia, esta  aparência  da riqueza  nacional,  expressa em espetáculo, chama-se Produto Interno Bruto - PIB. Até mesmo os marxistas, que rejeitam a “produtividade” do capital e até mesmo de grande parte dos serviços, servem-se dele. Calcula-se todos os rendimentos obtidos num país, num período de tempo, a saber,  salários pagos mais rendas auferidas pela propriedade, na forma de capital em funções, e tem-se um número. O PIB.  Pronto. Esta é a riqueza de um país. Aliás, é esta, também, a medida da riqueza corrente das pessoas, independentemente de seu patrimônio consolidado. Chamamo-la renda, oriunda de salários ou pensões  ou prêmios recebidos,  de rendas de aplicações financeiras ou de participação em negócios, na forma de lucros, dividendos ou comissões,  ou ainda de aluguéis e arrendamentos eventuais de máquinas ou imóveis. Sobre essas rendas o Imposto de Renda fica de olho (em riste)  aí depondo suas garras avantajadas para alimentar os cofres públicos. Agora mesmo,  talvez estimulado pelo sucesso do livro de Picketi ,  “O Capitalismo no Seculo XXI” e , certamente levados pela crise fiscal,  fala-se que o Governo vai aumentar a progressividade do Imposto de Renda . As alíquotas passariam a ser “nórdicas”, isto é, cada vez maiores, até o limite de 50% da renda. A confeir... Os benefícios dos tributos continuarão, como sempre foram: ontem chineses, agora africanos. Grandes salários como os de jogadores e técnicos de futebol  e outras celebridades  não deverão sentir muito.  Nem os executivos financeiros. Afinal, ganham fortunas mensais. Mesmo com Imposto alto, lhes sobrará muito. Quem vai mesmo penar , a se efetivar a medida, será a classe média que ganha 27 mil ate 100 mil e que poderá passar de uma garfada de 27,5% para 30% . Pequena diferença. Mas acima dos 100 mil iria para 40% ou 50% Alguns amigos meus chamam isso de justiça social ou socialismo. Eu sou antigo. Chamo de voracidade fiscal. E estou seguro de que o produto do incremento da arrecadação destinar-se-á mais ao pagamento de juros da dívida pública do que a gastos sociais e infra-estrutura...

Mas por que alguns ganham tanto e outros ganham tão pouco?

Acabo de ver na TV que Jadson, jogador do S.P.F.C ., será vendido para o clube Tianjin Quanjian, da China, por R$21 milhões, devendo, ainda ganhar R$ 2 milhões por mês. Outros foram, recentemente, também aquinhoados com gordas loterias. Renato Augusto também teria trocado o Corinthians pelos chineses, com proposta semelhante .Conca, do Fluminense já tinha ido há algum tempo. E o genial Robinho tampouco escapou da tentação amarela. Na China o camisa 7 já estaria ganhando R$ 3,4 milhões mensais. Serão esses jogadores tão bons assim, para ganhar tanto?  Outras celebridades, tanto do esporte, quanto das artes e até do jornalismo oficial ou executivos, também ganham muito. Serão, também, igualmente excepcionais?

A questão nos remete ao seguinte: O que faz algo – um produto, um serviço, uma tecnologia, um profissional, uma obra de arte – valer tanto? A resposta é simples: É sua raridade, não sua importância.  Daí a intemporalidade da primeira lei da economia: A Lei da Oferta e da Procura. Quando a oferta é menor do que a procura por um bem, seu preço sobe. A raridade pode ser natural, no caso das gemas e metais preciosos, ou gerenciada, no caso em que está associada a uma forma de Poder, como as moedas fortes de grandes potências, como o dólar, ou como os preços de produtos monopolizados por grandes cartéis. O Brasil, por exemplo, manipulou durante décadas o preço do café no mercado internacional. Deu-se bem. A OPEP, nos anos 70 do século passado, subiu unilateralmente o preço do barril de petróleo de US2,50 dólares para US$ 30. Criaram nova categoria de subdesenvolvimento: Os Países Pobres mas milionários. Instituíram o petrodólar no mundo financeiro. Estes mecanismos de manipulação da oferta, aliás, se constituem em fáceis política de rendas nacionais. O PIB infla, via preços externos, não como resultado de mudanças estruturais.  O Poder, enfim, também se reflete no Mercado,  está por toda parte e nos cerca, desde que nascemos. Quando viemos ao mundo, além de nascer num País Tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, pertencemos a uma classe social. Se nos couber a ravina dos mortais, viveremos e cresceremos com base na venda de nossa força de trabalho, daí percebendo salários. E a  tal “raridade” desta força  se valoriza quando se desloca para o campo concreto das celebridades, sobretudo  quando há excesso  liquidez no mercado, isto é,  gente com muito dinheiro disposto a comprá-las nos mercados, sejam estes legais  ou ditos “negros”.

A propósito: Nos últimos 30 ou 40 anos o mundo viveu uma tal concentração de renda  que um pequeno grupo de 1% da população mundial, isto é, cerca de 70 milhões de pessoas controlam mais da metade do bolo mundial. Isto está acontecendo porque  o volume das transações financeiros é um múltiplo das transações comerciais e produtivas e tende a se concentrar em poucas mãos. A humanidade nem só nunca havia visto tanta riqueza, resultado da globalização dos negócios em escala mundial e da financeirização que lhe acompanha, como não vira tamanha concentração. Isto gera um ambiente de valorização excepcional da  raridade, da qual se beneficiam artistas e celebridades, nem todos, aliás, propriamente importantes ou valiosos, eis que determinados , também por uma  discutível  mecanismo de manipulação midiática. Muitos críticos de arte reclamam , hoje, de exposições de pinturas de gosto discutível em grandes mostras mundiais, vendidas a preços excepcionais, tais como os famosos quadros de Demian Hirst. 

O mesmo raciocínio vale, também, para o mundo dos negócios. Uma empresa vale não pela sua importância,  mas pela lugar que ocupa no imaginário do mercado. Todas as empresas com ações, por exemplo, na BOVESPA, valem menos do que a Google. Será porque são menos importantes do que a Google? Certamente não. Mas a Google é excepcional e sabe valorizar-se no mercado de ações. Uma cidade,  tampouco vale pelas suas belezas estritamente naturais. Elas lá estão à espera de que a inteligência dos poderes públicos e do empresariado a tornem visível e viável. Lembram daquele anúncio na TV sobre o melhor emprego do mundo? Circulou no mundo inteiro. Era de um pequena ilha do Pacífico que deseja ganhar visibilidade. Ganhou. Multiplicou os negócios. Ah Torres...!!!!

Qual a lição prática a tirar, pois, desta reflexão sobre importância x raridade.

Não se creia tão importante a ponto de imaginar-se raro e valorizado só porque está vivo. Isto lhe confere, além de respirar de graça – ainda – o direito de ir e vir sem jamais ganhar pouco mais do que custa para sobrevier: um salário de subsistência.  Não se trata de fazer diferença, mas de ser efetivamente diferente e para ser diferente, além do talento, do carisma, da beleza, da inteligência e outras virtudes inatas, v. tem  que  saber “se valorizar” pela conquista de novos predicados.  Todos, aliás, já dizia Baltazar Gracián no sec. XVII, se atribuem grande importância, principalmente os que não a têm. Não caia, portanto, na vala comum, na qual ninguém lhe terá compaixão.. Esqueça as celebridades dos milhões e faça sua parte melhorando sua performance no campo profissional, no campo afetivo, nas suas relações pessoais e afetivas, na sua aparência e na sua alma. “Mas eu sou assim!”. Ora ninguém nasce assim ou assado. Torna-se, na interação com o meio. Se nascer na China, será um chinês. Se viver no século XVIII será um vitoriano. Se for vítima de um acidente de avião e cair no meio da Amazônia e sobreviver, terá que virar um sobrevivente na selva. Portanto, mãos à obra: Aprender inglês e espanhol, começar a correr para disputar a Maratona daqui a dois anos, fazer um curso de computação, ir ao médico dar um jeito neste corpo enferrujado, inscrever-se em algum clube de serviço ou trabalho voluntário, procurar um terapeuta para discutir seu estado de humor em casa e no trabalho, ir mais ao cinema e teatro, colaborar com o Greenpeace ou alguma outra ONG ambiental. Enfim, tanta coisa! Vamos lá, que o ano está recém começando e quem o fatiou desse jeito, a suscitar tantas ilusões a cada virada,  foi um gênio. Ou era Deus...

Tudo isso não vai mudar, em princípio, seu lugar social. Você continuará vivendo sob o império de uma economia de mercado, fundada sobre a livre iniciativa numa sociedade de classes. No Brasil, mundo novo, com grandes oportunidades e num momento de transição V pode até se arriscar a saltar do Mundo do Trabalho para o Mundo do Capital. Impossível não é, embora difícil, mas o peso dos pequenos negócios na economia nacional mostra que há espaço. Isto também exige aperfeiçoamento pessoal.  Aqui ouso falar em Empreendedorismo, para muitos uma religião, para outros, puro engodo. Mas Pesquisas de José Pastore demonstram que metade da elite econômica bilionária no país é emergente. Sem raízes em patrimônio familiar. Vá lá! Coragem! Mas se permanecer no mundo do trabalho, eleve seu nível de raridade relativa. Faça-se difícil pela qualificação crescente. E verá que isso funciona...

 
     
   

 

 

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