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| Alexis Tsipras, lider da esquerda grega que poderá vencer as eleições dia 17 de junho diz que está pronto para a moratória. |
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(Especial para JORNAL LITORAL NORTE e CARTA POLIS - www.cartapolis.com.br - Brasilia DF)
A crise econômica deflagrada pela “bolha” imobiliária americana de 2008 não para de se espraiar pelo mundo inteiro. Apesar da “Primavera Árabe”, que detonou vários regimes no Oriente Médio, ter tido alguma relação com essa crise, é na Europa , entretanto, que se sente mais profundamente suas repercussões. Já onze governos foram substituídos nos últimos tempos, o que coloca em cheque o processo de unificação europeu que parecia inquestionável. E, em alguns casos, como na Islândia, vendida como um Paraíso gelado, governantes foram levados à barra dos tribunas e condenados por irresponsabilidade. No caso mais recente, da Grécia, não só o Governo caiu como, mesmo com eleições, mercê do regime parlamentar, o Presidente da República não consegue formar um novo Governo. Isto porque a desagregação sócio-econômica radicalizou os eleitores e defenestrou os Partidos tradicionais de esquerda e direita que se revezavam há décadas no poder: O Pasok –socialdemocrata- e ND-Nova Democracia –conservador/liberal.Ambos perfizeram menos votos do que os mais radicais: O Syriza –uma coalizão de esquerda radical- ficou com 16,5% , que somado ao Partido Comunista, com 8,5%, atingiu 25%. E o neo-nazista, de extrema direita assustadora, conseguiu 6,5% fazendo 20 deputados no Parlamento. Na impossibilidade de formar um Governo com esse espectro, novas eleições serão realizadas a 17 de junho. Pesquisas de opinião indicam que o Siriza, de esquerda radical, que deseja o rompimento do plano de socorro com austeridade - mas não a saída do euro -, é o favorito para obter a maioria do parlamento. Falando, aliás, ao Wall Street J. no dia 17 de maio, seu líder, Alexis Tsipras, voltou a dizer que acredita que a Europa não vai abandonar a Grécia, mas, se ocorrer, e ele ganhar a eleição, está preparado para a moratória da dívida do país:
O líder do partido de esquerda Syriza, Alexis Tsipras, afirmou em entrevista ao The Wall Street Journal, nesta quinta-feira, 17, que acha pouco provável que a União Europeia corte a ajuda financeira à Grécia. Mas, se isso ocorrer, o país deve renunciar ao pagamento de suas dívidas. Ele alertou que o colapso financeiro da Grécia, senão evitado, irá levar todos os países da zona do euro para o buraco. Em vez da pressão ao país, Tsipras convocou os colegas europeus a adotarem políticas que ajudem a promover a recuperação da economia grega, em vez de empurrar a Grécia em uma espiral recessiva.
“Nosso principal objetivo agora é convencer nossos parceiros europeus de que, para o próprio bem deles, a ajuda financeira à Grécia não pode ser interrompida”, disse o líder do Syriza, na entrevista. “Senão conseguirmos fazê-los entender isso, e eles tomarem uma decisão unilateral que nos prejudique, ou seja, resolvam cortar a ajuda financeira ao país, então seremos forçados a suspender o pagamento aos nossos credores. Decretaremos moratória”, ameaçou Tsipras.
Entrementes, os fatos falam mais alto. É cada vez mais evidente a saída da Grécia da Zona do Euro, um conjunto de países que usa a mesma moeda, cunhada pela autoridade continental. Diante da incerteza, os gregos correm aos Bancos e retiram suas economias com medo do que possa vir pela frente. Nos últimos dias algo entre € 700 milhões e € 1,2 bilhão já escorreu pelo ralo dos caixas. E o problema não é apenas grego. Ele já vem drenando reservas bancárias em toda Europa. E quanto maior a exposição bancária, mais o Banco Central Europeu transfere recursos preciosos para a rede bancária, que, segundo Mauro Santayana (OS BANCOS, A DESIGUALDADE E O OCASO DA VELHA EUROPA , www.maurosantayana.com.br ) já enguliu um trilhão de euros transferidos pela autoridade monetária européia, devolvendo-o a conta-gota para o financiamento da produção. Apesar disto, se vê à mercê da descapitalização em decorrência da corrida dos depositantes assustados. É quase inevitável a estatização dos Bancos se quisermos salvar as mãos da economia de mercado.
O problema é ainda mais grave porque o sistema financeiro grego é um dos mais frágeis e pode entrar em colapso. Segundo a agência Reuters, o Banco Central Europeu teria suspendido as operações monetárias com bancos gregos que não passaram por re-capitalizações. Bancos do país também estariam operando com capital negativo, ainda conforme a agência, o que cria um ciclo vicioso, pois o BCE não pode suprir com mais liquidez instituições nessa situação, por questões legais.
Na terça-feira, em Berlim, o novo presidente da França, o socialista François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, cada vez mais acuada por resultados eleitorais parciais desfavoráveis no seu país, reafirmaram o desejo de que Atenas permaneça no grupo de 17 países que compartilha a moeda única, o euro. Mas deixaram escapar que interpretarão o resultado das urnas gregas em 17 de junho como "a vontade dos gregos". A sorte está lançada...
Já ninguém aposta com segurança no futuro. Vivemos o auge da incerteza. O eminente economista Paulo Krugman já prevê o inevitável: A Grécia cai, segue-se uma corrida ainda maior aos bancos que se desdobra sobre outros países do bloco – Espanha, Portugal, Itália – e aí ninguém sabe o que poderá acontecer. E salve-se quem puder...Mas nunca é demais lembrar que a II Grande Guerra teve este mesmo preâmbulo: Crise Econômica deflagrada pelo outubro de 29, recessão generalizada no mundo, oscilação dos eleitores entre polarizações ideológicas, da qual beneficiou-se Hitler para chegar ao Poder em 1933, enquanto na França “civilizada” instalava-se o governo de esquerda do Front Populaire, capitaneado por Leon Blum, crise do café e Revolução de 30, no Brasil.
Aliás, aqui no Brasil, os sinais da catástrofe se anunciam no Grito da Dilma contra os juros altos internos e a denúncia do tsuname financeiro dos países centrais. A economia está estagnada, a inflação está aumentando, o dólar bateu nos R$ 2,00 , as montadoras de carros estão parando, a inadimplência é a maior dos últimos anos e o pior: a era dos bons preços das commodities, que fizeram a nossa alegria na última década, parecem retroceder. Na verdade, surfamos na crise, graças à nossa capacidade de responder à contração industrial com uma grande folga nas exportações (num regime de estabilidade monetária que alavancou o crédito ao consumidor, associada à Política Social de elevação do poder de compra do Salário Minimo e a Transferências aos mais pobres. Esta folga eliminou o desemprego, elevou o salário médio dos trabalhadores e impulsionou o crescimento da economia. Mas, rigorosamente, continuamos no mesmo lugar em termos de participação no mercado mundial: ínfimo 1,4%, o mesmo número de 1985. Segundo a Associação de Exportadores Brasileiros em 1970 o Brasil era o 20º no ranking dos maiores exportadores , o mesmo que teremos em 2012 , sendo que a India será o 16º com a vantagem de que tem a maior parte de sua pauta em produtos industrializados. A China, que era o 29º e agora é o primeiro. A Coréia em 1970 era o 49º e agora é o sexto maior exportador mundial....Mas como...?
O Economista Maurício Dias David, RJ, o explica :
“Em 2001, o café estava sendo vendido a US$ 964 a tonelada; no ano passado, foi a US$ 4.463. Para 2012, a previsão é de que o preço seja de US$ 4.600.
A soja, que no ano passado chegou a US$ 495, era vendida a US$ 173 em 2001. Em dez anos houve um aumento de 186%.
O Açúcar saiu de US$ 197 a tonelada para US$ 573, e este ano o preço previsto é de US$ 530.
Carne bovina saiu de US$ 2.006 para US$ 5.077 em dez anos, e este ano a previsão é ficar em US$ 5.000.
Minério de ferro deu um salto de US$ 18 para os US$ 126 do ano passado.
O Brasil foi muito beneficiado pelo boom de commodities. Isso produziu um salto impressionante nas receitas com esses produtos:
- de café, o Brasil tinha receita de exportação de US$ 1,2 bilhão e foi para US$ 8 bi.
- a soja saiu de US$ 2,7 bilhões para 16,3 bi entre 2001 e 2011. Para 2012, a previsão da AEB é que não chega a US$14 bilhões.
- de açúcar e açúcar refinado, o Brasil vendeu US$ 2,2 bilhões em 2001, e US$ 5,8 bi no ano passado.
- no minério de ferro, deu um salto fenomenal, de US$ 2,9 bilhões, em 2001, para US$ 41,8 bi no ano passado, 14 vezes mais.
Em 2012, a previsão é de US$ 332,6 bilhões de exportações totais. Nesse período, houve aumento da quantidade exportada também, porque a demanda cresceu, mas o preço subiu mais rapidamente.
E agora José...? Quem viver, dirá...